Entenda como a prática de exercícios aeróbicos e musculação pode proteger o coração e contribuir para a saúde na terceira idade

Envelhecer é um processo natural. O coração, assim como os demais órgãos do corpo, passa por transformações ao longo dos anos. Embora não seja possível impedir esse processo, é possível desacelerar muitos de seus efeitos — e poucas estratégias são tão eficazes quanto a prática regular de atividade física.

Com o passar do tempo, mesmo na ausência de doenças como a hipertensão, o coração sofre alterações estruturais. Entre elas estão o espessamento das paredes, mudanças no tamanho e no volume do ventrículo esquerdo e o aumento da rigidez cardíaca, que faz com que o órgão tenha mais dificuldade para relaxar entre os batimentos.

Essas mudanças fazem parte do envelhecimento, mas podem ser aceleradas por fatores de risco como hipertensão arterial, colesterol elevado, diabetes, obesidade e sedentarismo. Por isso, manter-se fisicamente ativo após os 60 anos deixa de ser apenas uma recomendação de qualidade de vida e passa a ser uma importante ferramenta de prevenção cardiovascular.

A prática regular de exercícios ajuda a controlar a pressão arterial, melhora a glicemia, reduz os níveis de triglicérides, favorece o funcionamento do coração e aumenta o fluxo sanguíneo que nutre o próprio músculo cardíaco. Em outras palavras, um coração ativo tende a envelhecer de forma mais saudável.

Musculação: benefícios além da estética

Nos últimos anos, a musculação também ganhou protagonismo. Durante muito tempo associada principalmente ao ganho de força e de massa muscular, hoje se sabe que seus benefícios vão muito além da estética.

Preservar os músculos significa também manter autonomia, independência e longevidade. Idosos com maior massa muscular apresentam menor risco de hospitalizações por doenças cardiovasculares e, quando precisam ser internados, tendem a receber alta mais rapidamente.

A musculatura também desempenha um importante papel metabólico. Quanto maior a massa muscular, maior é o consumo de glicose pelo organismo, contribuindo para reduzir o risco de diabetes tipo 2.

Além disso, o músculo funciona como um verdadeiro órgão endócrino, liberando substâncias com ação anti-inflamatória que ajudam a proteger o sistema cardiovascular. O ganho de massa muscular também melhora o aproveitamento dos substratos energéticos, favorece a redução da resistência dos vasos sanguíneos e auxilia no controle da pressão arterial.

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Um coração ativo envelhece melhor — e nunca é tarde para começar.

Aeróbico ou musculação? As duas modalidades se complementam

Mas a musculação substitui os exercícios aeróbicos? A resposta é não. As duas modalidades não competem entre si: elas se complementam.

Caminhadas, corridas leves, ciclismo, natação e outras atividades aeróbicas seguem entre aquelas com maior volume de evidências científicas demonstrando benefícios diretos para o coração, incluindo melhora da função cardíaca e da circulação.

A musculação, por sua vez, acrescenta ganhos relacionados à força, ao metabolismo, à funcionalidade e à manutenção da independência.

E nunca é tarde para começar. Mesmo idosos que nunca frequentaram uma academia podem iniciar um programa de fortalecimento muscular. Antes, porém, é importante realizar uma avaliação individualizada para identificar doenças existentes, estimar o risco cardiovascular e orientar a prática mais adequada.

Acompanhamento médico continua indispensável

A atividade física é um dos pilares da prevenção, mas não substitui o acompanhamento médico. Da mesma forma, quando medicamentos são prescritos, devem ser utilizados corretamente.

Um amplo estudo internacional publicado no The Lancet acompanhou 978.425 adultos, com dados coletados entre 1990 e 2024 em 110 inquéritos nacionais realizados em sete países.

Os pesquisadores observaram que adultos mais velhos com obesidade passaram a apresentar níveis de pressão arterial e colesterol semelhantes aos de pessoas com peso normal, principalmente devido ao maior uso de medicamentos para controle da hipertensão e do colesterol.

Isso, porém, não significa que a obesidade tenha deixado de representar um risco. A condição continua associada a problemas como diabetes, doença renal, apneia do sono e alguns tipos de câncer.

A mensagem central é que prevenir continua sendo o melhor caminho. Manter um peso saudável, praticar exercícios aeróbicos e musculação regularmente, alimentar-se de forma equilibrada, realizar acompanhamento cardiológico periódico e seguir corretamente os tratamentos prescritos são atitudes que trabalham juntas para proteger o coração e favorecer mais anos de vida com saúde, autonomia e qualidade de vida.

*Pedro Senger é educador físico e coordenador do Departamento de Educação Física da SOCESP. Jorge Zarur é cardiologista e diretor da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP).

Fonte: saude.abril.com.br

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